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Hidradenite supurativa e exercício físico
29 de setembro de 2026“Doutora, eu tenho medo da cicatriz.”
Essa é uma preocupação que escuto de muitos pacientes com hidradenite supurativa, especialmente daqueles com HS Hurley III, que convivem com túneis e fístulas drenantes e se assustam ao ver imagens de cirurgias mais extensas.
E eu entendo. De verdade.
Eu também teria esse medo se não entendesse o que essa cicatriz representa.
Porque, quando pensamos apenas na cirurgia, é natural imaginar a marca que ficará na pele. Mas, para quem convive com formas mais avançadas da hidradenite supurativa, existe uma pergunta importante a ser feita: como está essa pele hoje?
Antes de falar da cicatriz cirúrgica, precisamos olhar para as marcas deixadas pela hidradenite supurativa
Na hidradenite supurativa com túneis e fístulas, a própria doença já deixou marcas.
São áreas que podem inflamar repetidamente ou até permanecer inflamadas de forma constante, drenar secreção, causar dor, apresentar odor desagradável e limitar significativamente a qualidade de vida.
Quando a HS evolui para a formação de túneis e fístulas crônicas, essas lesões dificilmente são resolvidas apenas com medicamentos.
É nesse contexto que a cirurgia pode ocupar um papel importante dentro do tratamento.
E existe uma diferença que gosto de explicar aos meus pacientes:
A cirurgia não troca uma pele saudável por uma cicatriz.
Ela pode substituir uma área de doença ativa por uma cicatriz cirúrgica estável, sem os mesmos túneis e fístulas drenantes presentes anteriormente.
Essa mudança de perspectiva é importante para compreender por que, em determinados casos, aceitar uma cicatriz pode fazer parte do caminho para controlar melhor a doença.
No Instagram, falei sobre uma das preocupações que mais escuto de pacientes quando conversamos sobre a possibilidade de cirurgia na hidradenite supurativa.
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O papel da cirurgia no tratamento da hidradenite supurativa
A cirurgia faz parte do tratamento da hidradenite supurativa em situações específicas, especialmente quando a doença já evoluiu com túneis e fístulas crônicas.
Seu tratamento busca o controle da doença e, dependendo das características de cada paciente, pode envolver a associação entre tratamento clínico e abordagem cirúrgica.
Isso não significa que decidir pela cirurgia seja simples.
Existem pacientes com áreas de doença muito extensas, nas quais uma cirurgia ampla pode resultar em grandes áreas de ressecção e exigir um processo de recuperação mais longo e desafiador.
Nessas situações, é fundamental ponderar cuidadosamente os benefícios, as limitações e os impactos do procedimento.
O que é considerado antes da indicação da cirurgia?
A indicação depende de diferentes fatores, como:
- extensão da doença;
- localização das lesões;
- presença de túneis e fístulas;
- impacto da HS na qualidade de vida;
- benefícios esperados com a cirurgia;
- objetivos do tratamento.
Por isso, cada caso precisa ser avaliado individualmente, e a decisão deve ser compartilhada entre médico e paciente.
O que uma cicatriz pode representar para quem convive com HS?
No consultório, vejo muitos pacientes que ficam com uma cicatriz após a cirurgia, sim.
Mas, junto com ela, podem conquistar algo muito maior: menos dor, menos episódios de drenagem, mais liberdade e melhora significativa na qualidade de vida.
Por isso, costumo dizer que, na hidradenite supurativa, talvez não seja possível ter tudo. Talvez o paciente nunca volte a ter uma pele completamente sem cicatrizes.
Mas existe uma diferença entre conviver com uma cicatriz cirúrgica estável e permanecer com uma área marcada pela própria doença, constantemente inflamada, dolorosa e drenando secreção.
Quando a cirurgia é indicada, possível e realizada no momento adequado, associada ao tratamento clínico, ela pode representar um passo importante para controlar a doença e modificar a maneira como o paciente convive com a HS.
Não deixe que apenas o medo da cicatriz determine sua decisão
Ter medo de uma cirurgia ou de uma cicatriz é compreensível. O que não podemos é analisar essa cicatriz isoladamente, sem considerar o que a hidradenite supurativa já está causando àquela pele e à vida do paciente.
Quando há indicação cirúrgica, é importante entender o que se pretende alcançar com o procedimento, quais são suas limitações, como será a recuperação e quais benefícios podem ser esperados.
A decisão não deve ser tomada pelo medo, mas também não deve ignorá-lo. Ela precisa ser construída com informação, avaliação individualizada e uma conversa cuidadosa entre médico e paciente.
Se você convive com hidradenite supurativa, especialmente com túneis, fístulas, drenagem recorrente ou lesões que continuam inflamando apesar do tratamento, uma avaliação dermatológica pode ajudar a entender quais possibilidades terapêuticas fazem sentido para o seu caso.




