
Cirurgia na hidradenite supurativa: e o medo da cicatriz?
24 de agosto de 2026Quando falamos em músculo, é muito comum pensar primeiro em força, movimento ou estética. Mas eu gostaria que você começasse a enxergá-lo de uma forma um pouco diferente, principalmente se convive com hidradenite supurativa.
O músculo é um tecido metabolicamente ativo e também funciona como um órgão endócrino. Quando colocado em movimento, ele participa de diferentes processos do organismo, inclusive de respostas relacionadas à inflamação.
E é justamente por isso que, quando falamos de uma doença inflamatória crônica como a hidradenite supurativa, não faz sentido olhar apenas para a pele ou para o número que aparece na balança.
O músculo também precisa entrar nessa conversa.
Veja aqui o conteúdo que publiquei no Instagram sobre esse assunto:
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Hidradenite supurativa: a inflamação não envolve apenas a pele
A hidradenite supurativa é uma doença inflamatória imunomediada. Embora suas manifestações mais visíveis ocorram na pele, precisamos entender o paciente de uma forma mais ampla.
A doença pode estar associada à obesidade, resistência à insulina e maior risco cardiometabólico. Por isso, quando pensamos no acompanhamento de quem convive com hidradenite supurativa, saúde metabólica e composição corporal também merecem atenção.
E é aqui que começamos a entender por que falar apenas em perda de peso pode ser insuficiente.
Não estamos olhando somente para quanto uma pessoa pesa. Também precisamos considerar quanto desse peso corresponde à gordura, como está sua massa muscular e, principalmente, se esse músculo está ativo.
O músculo também participa da regulação da inflamação da hidradenite supurativa
Músculo não serve apenas para gerar força ou permitir movimentos. Ele também produz e libera substâncias capazes de se comunicar com diferentes tecidos do organismo.
Entre essas substâncias estão as miocinas.
Quando o músculo se contrai durante o exercício, essas moléculas são liberadas e participam da comunicação entre músculo, tecido adiposo, metabolismo e sistema imunológico.
Em outras palavras, o músculo em movimento também participa de processos relacionados à regulação da inflamação.
Um exemplo interessante é a IL-6.
Talvez você já tenha ouvido falar dela associada à inflamação. Mas aqui existe uma diferença importante: em medicina, contexto importa.
A IL-6 liberada pelo músculo durante o exercício de resistência desempenha um papel diferente daquela relacionada à inflamação crônica. Durante o exercício, ela participa de uma resposta que estimula a liberação de mediadores anti-inflamatórios, como IL-10 e IL-1RA.
É o que chamamos de resposta imunometabólica ao exercício.
Perder peso não é a única questão na hidradenite supurativa
Quando existe excesso de gordura corporal e há indicação para sua redução, perder gordura pode fazer parte dos cuidados com a saúde. Mas a conversa não deveria terminar aí.
Também precisamos olhar para a massa muscular.
Isso significa:
- Preservar a massa muscular
- Estimular seu ganho quando possível
- Manter força e capacidade funcional
- Colocar esse músculo em atividade por meio do exercício
O músculo em atividade é metabolicamente e endocrinamente ativo, e o exercício promove respostas imunomoduladoras. Por isso, preservar massa muscular, força e capacidade funcional também é importante quando pensamos em saúde metabólica.
Para quem convive com uma doença inflamatória crônica, esse é mais um motivo para não avaliar a saúde exclusivamente pelo peso corporal.
Exercício trata a hidradenite supurativa?
Aqui preciso deixar uma coisa muito clara: não.
Musculação não substitui imunobiológicos.
Exercício não substitui o tratamento dermatológico da hidradenite supurativa.
E a ciência também não demonstrou que simplesmente aumentar a massa muscular, por si só, seja capaz de controlar a doença.
Então, por que estamos falando sobre isso?
Porque o exercício pode fazer parte de uma abordagem mais ampla de saúde, especialmente quando pensamos em inflamação, metabolismo e composição corporal.
É uma peça do cuidado. Não um substituto para o tratamento da doença.
Hidradenite supurativa exige um olhar além da balança
Na prática, o raciocínio que eu gostaria que você guardasse é simples.
Quando necessário, reduzir o excesso de gordura. Ao mesmo tempo, preservar ou aumentar a massa muscular quando possível e manter esse músculo em movimento.
Para quem convive com hidradenite supurativa, cuidar da saúde significa olhar para a doença de maneira ampla, considerando não apenas suas manifestações na pele, mas também outros aspectos que fazem parte da saúde metabólica.
E isso sempre deve acontecer respeitando as condições, limitações e necessidades individuais de cada paciente.
Se você convive com hidradenite supurativa, o primeiro passo é ter um diagnóstico adequado e um plano de tratamento individualizado. A partir daí, outros pilares de saúde podem ser incorporados ao acompanhamento sem substituir o tratamento dermatológico.




